Às vezes gostaria de saber como é que a minha mãe é capaz de comprar os livros sem saber do que se trata.
"Seara de Vento" - Manuel da Fonseca
A ação passa-se no Alentejo, anos 50. Nessa altura e nesse local, os agricultores viviam na completa miséria, em cabanas que rangiam pelo passar do vento e à espera que o dia seguinte fosse melhor.
Manuel da Fonseca retrata uma família nas mesmas condições: os Palma.
Vou contar a verdade: cheguei a meio do livro e não consegui ler mais. Acho que é o primeiro que eu deixo a meio. A narrativa é muito... "adjectivada" (não que eu não goste, mas torna-se sempre muito cansativa), os objectos muito contados ao pormenor. Acontece o contrário com as falas e os movimentos das personagens; ninguém sabe quem está a falar, nem onde se encontra. É um completo mistério.
Outra coisa que me irritou foi o filho mais novo do casal. Mais uma vez, o autor não se explicou: nem a meio do livro sei a idade dele, se tem dois anos ou é um adolescente com problemas mentais.
Existem muitos "vai para a frente e para trás"; nunca sabemos que o ação naquele momento passou-se no passado ou se está a acontecer na hora certa da narrativa.
Este não foi, sem dúvida, um dos melhores; deixou-me um trago amargo na boca.

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